Somando Valores, Desenvolvendo Talentos

Hoje os conhecimentos científicos não nos dão as respostas para as questões que emergem na alma humana. As respostas somente podem vir quando se consegue ampliar a visão fragmentada de mundo e incorporarmos de forma objetiva uma visão integrada e integradora deste mesmo mundo.

Embora vivamos numa fase onde a sobrevivência, a competitividade e a concorrência está cada vez mais difícil, é um paradoxo que se dê tanta importância à espiritualidade.

São muitas as razões para a promoção da espiritualidade no pensamento empresarial. O mercado globalizado baseado num capitalismo democrático, que repousa um sistema de troca voluntária e comprometimentos políticos com a liberdade e o livre arbítrio individuais, é, no fundo, um sistema que depende da criação de confiança. Sem uma estrutura de valores morais e espirituais básicos, tais como dizer a verdade, justiça e responsabilidade pessoal, a confiança poderá desviar-se até do grupo gerencial mais idealista.

A customização maciça e o consequente marketing de relacionamento aproximou a empresa do mercado, aproximação essa baseada na confiança mútua entre empresa e cliente que exige idoneidade e um comprometimento mais ético dos dois lados.

Assim é crucial entender como a espiritualidade organizacional pode ser colocada em prática no mercado e na vida de um gestor com eficiência.

Isso requer não apenas um essencial compromisso com a integridade pessoal, mas trazer estes valores espirituais da vida privada, fazendo com que estes se tornem também eficientes no contexto dos negócios.  

Apesar de tudo isso, a preocupação dos gestores com a espiritualidade parece concentrar-se no receio de que o cumprimento das obrigações com os valores e com a espiritualidade imponham uma perda imediata nos resultados financeiros.

As repercussões financeiras de escândalos e corrupções que tiveram como consequências a grave crise econômica mundial recente deixaram bastante claro que nenhum executivo pode se dar ao luxo de deixar de rever sua forma de agir e principalmente seus valores.

Na verdade, embora vivamos numa fase onde muitas técnicas e conceitos gerenciais ganham seus dias de glória, depois são trocados por outros mais modernos e atualizados, a espiritualidade e a criação de confiança permanecem na viabilidade da empresa.

Um efetivo padrão de integridade empresarial é crucial para o bem-estar da empresa, para seu pessoal e para aqueles que são afetados por suas operações.

A maior parte dos valores compreendidos como espiritualidade organizacional: honestidade, justiça, respeito pelos outros, prudência, solidariedade, humildade, cooperação, confiabilidade e outros é parte conhecida da formação das pessoas.

Contudo, a “grande empresa” impessoal, fria e desumana, ao moldar o trabalhador sem sentimentos, sem identidade psicológica, sem fisionomia moral, criou o protótipo do homem instrumento, desenhado pela Revolução Industrial e pelas modernas concepções neotayloristas, que teimam em restringir periodicamente, sob mil disfarces insinuantes, por via do autoritarismo ou da manipulação sutil.

Assim, os valores espirituais foram sofrendo uma desintegração. Os escândalos empresariais que aparecem nos jornais, como manipulação de informações privilegiadas, os boatos mesquinhos e as calúnias nos escritórios e departamentos são prova de que os gestores das empresas nem sempre conseguem fazer da boa ética, dos valores morais e da espiritualidade organizacional um fato real na conduta dos negócios.

Quando se combina a falibilidade humana com a ganância do dinheiro e do poder, acrescido dos fatores organizacionais e hierárquicos e a cobrança por somente resultados financeiros no final dos exercícios, fica difícil falar e manter a espiritualidade dentro das empresas. Porém a validação da espiritualidade organizacional, embora o termo não seja popular, é simplesmente um modo de reconhecer que, sem dúvida, existem certas escolhas a serem feitas com relação aos meios e aos fins empresariais, as quais têm um ingrediente essencialmente moral, ético e espiritual.

Conflitos de interesses, aquisições hostis de empresas, o desmantelamento e o desaparecimento de grandes instituições financeiras, voltaram a atenção para os velhos problemas da ganância individual e desonestidade.

Assim, o resgate da espiritualidade organizacional torna-se questão urgente. A necessidade do trabalho em equipe, a mudança do poder, saindo da estrutura organizacional para o conhecimento, a recessão econômica em muitas empresas e um conjunto multipolar de concorrentes sem fronteiras, minaram a promessa das recompensas imediatas e universais entre pessoas do mesmo pensamento.

A diminuição no tamanho das empresas, as fusões, a tecnologia que faz o trabalho repetitivo e exaustivo, deixando apenas o trabalho inteligente para as pessoas, e a extrema mobilidade da força de trabalho que agora é internacional, multirracial e de ambos os sexos, onde o conhecimento tácito, base da Gestão do Conhecimento, e o know-how das empresas está na cabeça das pessoas e não mais nas estruturas empresariais, fez com que o estado bem conhecido de ganância administrativa do livre mercado tornasse inadministrável.

O fato é que os laços já frágeis entre as pessoas e as empresas estão desaparecendo rapidamente à medida que as recompensas em dinheiro não é a melhor motivação para pessoas.

Aliando a todas estas mudanças internas nos relacionamentos funcionário empresa, estão as mudanças externas. A alta tecnologia trouxe a personalização maciça de produtos e serviços, fazendo com que os relacionamentos cliente empresa se estreitassem e passassem a ser mais de confiança do que de satisfação, onde mais do que produto ou serviço os clientes compram o comportamento ambiental, ético, moral e idôneo das empresas.

Pensar, falar e agir dentro de um preceito de espiritualidade passou a ser uma questão de sobrevivência para as empresas que querem perpetuar-se e serem competitivas neste início de século XXI.

Fonte: Rubens Fava

Revista Administradores

 

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