Somando Valores, Desenvolvendo Talentos

 

 O que o Prêmio da Academia nos ensina  sobre trabalho em equipe

 

 

Eu estava descendo a Main Street na Park City, em Utah, durante o Sundance Film Festival com minha amiga Allison, uma diretora de elenco que parecia conhecer todo mundo. Em um determinado momento, nós paramos para cumprimentar um ator que estava decepcionado com a aceitação que ele estava tendo no Festival. “Quem realmente faz os filmes são os atores”, contou-me. “O roteiro é apenas o preto e branco de uma página. É o ator quem dá vida às palavras”.

 Mais tarde, nos deparamos com outro amigo de Allison, um roteirista que estava com um filme no mesmo festival. Ele também estava insatisfeito e o papo foi igual ao que tivemos pouco antes com o ator. “Um filme é criado por quem o escreve”, disse ele. “É o roteirista que inventa a história, ele é o responsável pelo filme”. Nós não falamos com diretores durante a caminhada, mas tenho certeza de que, se tivéssemos encontrado um, teríamos ouvido que os filmes são mais influenciados pela voz criativa do diretor.

 A caminhada foi na Main Street durante o Sundance, mas poderia muito bem ter sido no corredor de alguma empresa, em um dia comum.

Quem é responsável – e deve receber a maior parte dos créditos – por um produto ou serviço que traz altos resultados? A equipe que o desenvolve? As pessoas que o negociaram? Os profissionais que o venderam? Os representantes que conquistaram a confiança dos clientes? A equipe de executivos que traçou as estratégias?

 Nem todas as pessoas na equipe têm o mesmo valor, certo? Pense em uma equipe esportiva: há estrelas – que recebem milhões – e há os outros jogadores, que têm menos destaque. É simplesmente oferta e demanda: algumas pessoas são mais facilmente substituíveis que outras.

 Então, logicamente, nós teríamos que dizer que os mais bem pagos, mais visados, “mais insubstituíveis” são os responsáveis pelo sucesso do produto ou serviço. Até nós olharmos para a lista de indicados ao Oscar em 2010.

 O que é mais interessante na lista não são os filmes indicados ao prêmio principal. O que mais interessa é a quais outras categorias os vencedores como Melhor Filme foram indicados.

 Cisne Negro, indicado a Melhor Filme, por exemplo, também foi indicado na categoria de Melhor Diretor, Atriz Principal, Fotografia e Montagem.

Outro indicado a melhor filme, O Lutador, também foi indicado em Roteiro Original, Melhor Diretor, Montagem, Ator Coadjuvante e duas indicações para Atriz Coadjuvante.

 A Origem também foi indicado em Roteiro Original, Direção de Arte, Fotografia, Trilha Sonora Original, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Especiais.

O Discurso do Rei foi indicado a um total de onze outras categorias, além da principal. Bravura Indômita recebeu nove indicações. A Rede Social recebeu sete.

 E, talvez mais significativas, quantas produções indicadas ao prêmio de Melhor Filme não tiveram indicações em outras categorias? Nenhuma. Na verdade, para conseguir uma indicação ao prêmio principal, é preciso ser indicado a melhor em três outras categorias.

 Em outras palavras, um filme só é considerado bom quando todas as várias partes que o compõem são, independente e colaborativamente, boas. Nunca é somente o talento de uma única pessoa ou equipe, mesmo quando aquela pessoa é Mark Wahlberg, Natalie Portman, ou um dos irmãos Coen.

 No total, os dez que disputam o prêmio de Melhor Filme foram indicados a cinco prêmios de direção, nove de roteiro, 15 de atuação e 29 outros, como montagem, mixagem de som, fotografia e direção de arte.

É improvável que todas essas produções tivessem sido indicadas a Melhor Filme – e muito mais improvável que vencessem – se não fosse o trabalho brilhante feito pelas equipes e pessoas que nós raramente vemos e quase nunca a reconhecemos. Nós, provavelmente, não sabemos o que a maioria delas faz.

Quase sempre é um equívoco destacar um indivíduo, um papel ou uma única equipe como responsável pelo sucesso de uma empresa quando existe todo um grupo que contribuiu. Cada um daqueles com quem falamos em Sundance poderia estar correto ao achar que não estava recebendo o devido crédito pelo que fez. Mas eles também estavam todos errados ao acharem que eles mereciam todo o crédito.

 Os melhores produtores entendem isso. Eu conversei com um importante produtor e ele me disse que o mundo do cinema dá mais evidência aos diretores porque, do ponto de vista das Relações Públicas, isso ajuda a dar um foco ao filme. Como o nome fantasia de uma companhia. Mas, disse ele, colocar todo o foco em um bom diretor ou um ator famosos, definitivamente, não é o caminho para fazer um bom filme.  Os melhores líderes sabem disso – não se consagram apenas da boca para fora – eles realmente sabem que é verdade. E eles transmitem isso sendo humildes. Humildade não é apenas uma atitude, é uma habilidade. As pessoas mais eficazes são altamente confiáveis (elas sabem que agregam um valor significativo) e humildes (eles reconhecem o imenso valor adicionado por aqueles que os rodeiam). A habilidade é deixar que as pessoas ao redor saibam disso.

 No fim da nossa caminhada, eu me virei para a minha amiga Allison e perguntei se ela não era a pessoa mais importante em um filme. Afinal, ela escolheu a maior parte das pessoas que fizeram sucesso.

“Ah, eu sou importante”, disse ela. Depois acrescentou: “tão importante quanto todos os outros”.

Nota do autor: nomes e alguns detalhes foram alterados

Autor: Peter Bregman

Fonte: Revista Administradores

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